O terreno surge como um conjunto de áreas sobrantes, por entre fragmentos de casas e ruínas dispersos no interior de um quarteirão em transformação. As traseiras dos lotes adquirem aqui o estatuto de fachadas, exibindo o amontoar caótico de anexos e muros. Tudo está incompleto: a malha construída sem um recorte preciso, as ruas sem continuidade, os espaços livres na sua qualidade de elementos residuais. Resultado das transformações sucessivas, a situação revela dificuldades evidentes da malha urbana na articulação com um miolo de quarteirão degradado e descaracterizado. Mas, apesar de tudo, a área contém elementos aliciantes para o projeto: a contiguidade de um tecido urbano bem definido, a convivência do público com o privado, a memória de antigos caminhos, a ampla paisagem sobre o Rio Douro desvendada pela pendente.